Apesar da maioria da infraestrutura ser baseada em rádio, o foco dos operadores locais que tem fibra óptica é o controle da planta e não apenas avançar no cabeamento

Distribuidor baseado em Manaus e com uma área de abrangência que se estende por outras capitais do Norte e pelo interior do Amazonas, a PIVNet tem uma visão atenta do mercado de telecomunicações local. No radar da empresa estão pelo menos 400 provedores regionais, dos quais cerca de 80% operam com redes sem fio (rádio). Dos 20% restantes, a contabilidade se distribui entre aqueles que optaram pelo cabeamento óptico (15%) e pelos provedores com rede majoritariamente em UTP (5%).

Um olhar mais atento sobre os provedores com infraestrutura óptica mostra ainda outra mudança: antes focados na expansão da infraestrutura, eles agora investem intensamente na gestão da qualidade da rede. E como se percebe isso? Para Bené Abecassis, diretor comercial da PIVNet, a resposta é lógica e está concentrada no tipo de equipamento e acessórios comprados pelos provedores.

“Poucos deles partiam para a fibra óptica e, mesmo entre os pioneiros, a demanda era concentrada na compra de cabos de fibra óptica e máquinas de fusão. Ou seja, construção da rede”, detalha. “Hoje vemos um número maior de empreendedores optando pelo cabeamento e, mais do que isso, existe um grupo inovador investindo na compra de OTDRs e power meters”, completa.

OTDRs e Power Meters indicam necessidade de monitorar qualidade

Segundo Abecassi, a diferença na cesta de aquisições indica uma preocupação maior com a qualidade da rede que está sendo instalada e com técnicas rápidas de identificação de problemas em caso de rompimento da infraestrutura. Em função dessa mudança, ele vai replicar uma política que já deu certo na área de máquinas de fusão: treinamento da equipe para indicar o melhor uso dos equipamentos.

A preocupação com a qualidade não tem nada a ver com o tamanho dos provedores. Dos 400 que estão no radar PIVNet, a maioria detém uma carteira inferior a 500 clientes fixos. “O mais interessante é que conheço boa parte desses empreendedores e sei que eles estão sendo bem-sucedidos”, diz Abecassis. Entre eles, há casos singulares como o de um ex-motoboy.

Decidido a começar seu próprio negócio, o empreendedor vendeu a moto e usou o capital para ajudar no financiamento da rede, incluindo equipamentos e cabeamento. “Montamos um plano de pagamento a longo prazo e ele, com uma gestão da rede mais eficiente, mantém cerca de 400 clientes. E o que é melhor: multiplicou a renda por dez”, explica o diretor da PIVNet.

Raio-x do Norte mostra potencial de expansão
Na avaliação do executivo da PIVNet, apesar do avanço rápido dos últimos dois anos, há ainda bastante mercado a ser evoluído na região, começando pelo Pará e Amazonas. Com quatro lojas em Manaus, pelas quais distribui equipamentos da Redex Telecom para todo o Norte, a empresa vê um mercado forte em função da substituição de redes de rádio por fibra óptica. E a constatação faz sentido, como mostrou levantamento feito pela Folha de S. Paulo entre novembro de 2016 e junho de 2017.

A matéria mostra que há 2,4 milhões de domicílios com acesso à internet na região. Esses são potenciais migrantes para redes de fibra óptica. Um volume maior, de 2,7 milhões de pessoas, nem sequer tem acesso, mas também são potenciais, pois a primeira oferta pode já ocorrer com fibra óptica ou, numa hipótese mais longa, ter os rádios inicialmente e fibra óptica assumindo depois. O levantamento da Folha ouviu 23 mil pessoas, em 350 municípios.

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